terça-feira, 22 de setembro de 2009

Argentina e Uruguai - Punta Del Leste

17-09-09 Quinta-feira

Hoje o dia amanheceu bastante nublado e com muito frio, na com temperatura máxima de 10 graus centígrados e com sensaçao térmica ainda menor. O ônibus do tour a Punta Del Leste passou por volta das 8:30 e lá fomos.

O Uruguai é um país pequeno dividido em 19 departamentos administrativos, e Montevideo fica no departamento de mesmo nome, que a Capital Federal. Punta Del Leste fica no departamento de Maldonado, cuja capital é a cidade de Maldonado. Para irmos a Punta Del Leste vamos cruzar todo o departamento de Canellones, tudo isto em duas horas.

Pegamos a Rambla em Montevideo e em seguida a Ruta Interbalneária, e nossa primeira parada foi no balneário de Piriápolis. Como todo balneário aqui no Uruguai, fica vazio no inverno e lota no verao. Hoje especificamente conta somente com a populaçao local e com estes poucos turistas de inverno, como nós. Subimos um morro, chamado Cerro de San Antonio, que é um dos pontos mais altos da regiao e de onde pudemos avistar toda a cidade e a costa fluvial. Piriápolis é uma cidade banhada pelo Rio de La Plata, como Colonia e Montevideo.

No Cerro existe uma capela a Santo Antonio e várias lojas de suvenir. Aproveitei um comprei um casaco novo (uma campera), pois o frio tá muito forte. O casaco trás a palavra Uruguay com a bandeira do lado. Nesta regiao há mais dois morros, ou "cerros", um chamado de Cerro del Toro e o outro Pan de Azúcar, que nada lembra o nosso Pao de Açúcar, no Rio.

De Piriápolis continuamos pela Ruta Interbalneária até a cidade de Punta Ballena, como o nome diz, é a ponta da baleia. Nesta regiao já se nota uma grande mescla das águas do Rio de la Plata com o mar, as cores se misturam. Nesta época do ano e durante toda a primavera as baleias migram da Terra do Fogo para esta regiao para reproduçao. Várias delas podem ser avistadas.

Em Punta Ballena visitamos também a Casa del Pueblo, que é a casa de um fomoso artista plástico uruguaio, o sr. Carlos Paez Vilaró, que ainda mora na casa com sua família. A parte aberta a visitaçao é um museo, galeria e loja de suvenir. Vilaró se inspirou em Antoni Gaudi, arquiteto catalao, para construir sua "escultura habitável", como ele mesmo diz.

Ao deixar Punta Ballena seguimos mais vinte minutos para Punta Del Leste, um dos balneários mais conhecidos da América do Sul. Nesta época do ano também fica vazia a cidade de mais ou menos 180 mil habitantes. No verao chega a ter cerca de 1 milhao de pessoas na cidade. Notam-se várias casas, apartamentos e bares fechados, que só abrem mesmo em alta temporada. Podemos ver os contrastes de Punta del Leste, onde existe a riqueza de um lado e muita pobreza de outro. Há uma casa na cidade que ocupa um quarteirao inteiro, segundo dizem, pertece a um brasileiro do Rio Grande do Sul, dono da Grendene.

Punta del Leste é onde oficialmente encontram os Rio de la Plata e o mar, é a parte mais larga do Rio da Prata, que chega a ter em torno de 200 km de largura.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Argentina e Uruguai - Montevideo 01

16-09-09 Quarta-feira

Hoje levantei cedo e fui direto ao Terminal Buque Bus, o terminal onde se toma o catamara (que falta faz o til) para o Uruguai. O procedimento de check in é o mesmo nos aeroportos, com a única diferença que o serviço de imigraçao uruguaia já está do lado de cá do rio, no embarque, e nao no desembarque. De certa forma facilita, mas foram tao chatos que pediram até para abrir a mala.. só chatice mesmo, eles já tinham visto meu passaporte brasileiro.

O dia se encontrava nublado, mas sem ventos e nem frio. Levamos exata uma hora para a travessia. Foi uma viagem muito tranquila e gostosa. A embarcaçao é muito grande, tem free shop, lanchonetes, televisor.... enfim é uma cidade flutuante.

Colonia del Sacramento é uma cidade de colonizaçao portuguesa, era uma fortaleza de proteçao contra invasoes espanholas no extremo sul da colonia portuguesa. Após a independencia do Brasil, toda a regiao onde hoje é o Uruguai pertencia ao Brasil, e em 1828 chegou-se à independencia. Colonia é patrimonio da humanidade pela Unesco. Como cheguei muito cedo a Colonia, por volta de nove e meia da manha, eu tinha a intençao de passar todo o dia lá e no inicio da noite seguir para Montevideo. Mas infelizmente na rodoviária nao havia guarda volumes que acomodassem minhas bagagens. Assim tive que seguir imediatamente para Montevideo.

Cheguei a Montevideo por volta de uma hora da tarde, e de imediato comprei a passagem de volta a Colonia, onde resolvi passar um dia. Chego no sábado e saio no domingo de manha, de volta a Argentina. No setor de informaçoes turísticas já adquiri um City Tour por Montevideo, para as 14 horas e outro para a quinta-feira, em Punta Del Leste. Peguei um taxi direto para o albergue.

O Albergue Che Lagarto é uma franquia argentina que já existe em várias cidades argentinas, no Uruguai, Chile e Brasil (Rio, Paraty, Sao Paulo e Salvador). O Che Lagarto de Montevideo fica muito bem localizado, na Plaza Independencia, centro da cidade histórica, de fácil acesso a todos os lugares. O Uruguai é um país pequeno, de aproximadamente 3 milhoes de habitantes, dos quais um milhao e meio vive em Montevideo. Dá para se imaginar o quanto o país é vazio. Os jovens que querem progredir mais acabam saindo do país, pois aqui as condiçoes sao limitadas. De qualquer forma é um país que possui uma bela história e lindos monumentos.

As 14:45 a van passou para me pegar para o City Tour. Começamos pela Plaza Constitución, onde fica a Catedral (o poder religioso), o Cabildo (o poder do rei da América espanhola), vários bancos e lojas na parte histórica da cidade. As ruas da cidade sao repletas de uma árvore européia chamada plátanos, muito bonita. Fica completamente sem folhas no inverno. Desta praça passamos pelo Teatro Solís, mas nao descemos. Irei vistitá-lo na sexta.

Em seguida circulamos pela Plaza Independencia onde estou hospedado. Esta praça é a mais central da cidade e também se situa na parte histórica. Na ponta fica o portal, que é a antiga entrada da cidade de Montevideo quando esta era murada (amurallada). Em sentido antihorário temos totalmente a direita o Teatro Solís, que impressiona pela beleza original, pela restauraçao e a boa acústica da sala de espetáculo. É um dos teatros mais conceituados da América do Sul. Logo após o teatro temos o Palácio Presidencial que acaba de ficar pronto, levou pelo menos 46 anos para ser concluído. É um edifício moderno, de vidro refletivo, e passa despercebido como Palácio Presidencial por ser mais um edifício moderno dentre muitos em qualquer cidade. Nao possui a suntuosidade e os simbolismos de Brasília e Washington, ou mesmo de Buenos Aires pela avenida de Mayo. Depois seguimos pela avenida 18 de Júlio, que a veia comercial da cidade. Montevideo possui uma graciosidade européia mas em proporñçoes bem mais modestas que Buenos Aires.
Deste ponto seguimos por vários pontos da cidade, como a Plaza de la Armada, de onde se tem uma vista das praias pelo Rio Da Prata, das Ramblas (avenidas a beira-rio) e dos prédios. Seguimos pelo bairro Carrasco, onde se tem uma noçao do bairro típico de residências unifamiliares e também de embaixadas, como a da Inglaterra. No bairro Punta Carretas, um dos mais sofisticados da cidade, fica também o shopping Punta Carretas, antigo cárcere.
Vou lhes contar como surgiu o nome Montevideo, que é uma curiosidade muito interessante. Quando os espanhóis chegaram à costa do Uruguai pelo rio da Prata eles criaram referências pelos montes e os numeravam para nao perderem. Quando chegaram a Montevideo, o monte era o de número 6. Mas foi assim que os espanhóis o descreveram: MONTE VI, indicando o 6 em algarismos romanos. Porém continuaram com a seguinte descriçao: D.E.O, que significa "De Este a Oeste" (de leste a oeste). Quer dizer o "monte 6 de leste a oeste". Tudo próximo temos: Monte VI DEO e junto MONTEVIDEO. E assim ficou o nome do lugar.
Nesta quinta-feira faremos um passeio por Punta del Leste, com breve parada em Piriápolis e Punta Ballena.

Argentina e Uruguai - Buenos Aires 05

15-09-09 Terça-feira

Nesta terça levantei cedo, tomei um banho, um bom "desayuno" (café-da-manha) e fui à Rua Florida, de novo às Galerias Pacífico, para me despedir e trocar uns dólares em pesos argentinos e uruguaios. Acabei por almoçar lá mesmo, no Burguer King. Visitei também o Espaço Culturual Borges, que fica no shopping.

Depois fui andando até a Plaza de Mayo, onde fica a Casa Rosada e comprei umas lembrancinhas para levar ao Brasil. De lá segui andando até o Café Tortoni, na avenida de Mayo para pegar o ônibus da Travel Line que nos levaria a Tigre.

Tigre é uma cidade da Província de Buenos Aires, ao norte da Cidade de Buenos Aires, a capital federal. Ao norte de Buenos Aires capital, ficam também San Isidro e San Fernando, às margens do rio Paraná, em seu desta.

Tigre fica exatamente no delta do Paraná o que lhe confere uma situaçao urbanística bastante peculiar. A cidade é composta por canais e ilhas, lá nao existem ruas e muito menos carros. Os donos das casas possuem lanchas, os taxis sao lanchas e as entregas delivery também sao feitas em lanchas. Andamos por uma hora pelos canais de Tigre, depois tomamos um trem até a cidade de San Isidro onde fizemos compras.

A noite fui arrumar as malas, pois partiria na quarta de manha para o Uruguai. Comi no mesmo bar de ontem o
El Federal para me despedir da capital argentina.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Argentina e Uruguai - Buenos Aires 04

14-09-09

Nesta segunda-feira, após acordar e resolver questoes de cambio, trocar dinheiro e coisas mais, andei pelo bairo San Telmo até o Puerto Madero, passando pelo antigo prédio da Aduana em estilo francês e da atual Escola de Engenharia em estilo kitsch grego-romano. O Puerto Madero é o antigo porto de Buenos Aires que funcionou como tal por séculos. A cidade praticamente se voltou contra o rio até que tiveram a idéia de revitalizar a regiao. Os antigos galpoes de tijolos aparentes avermelhados (brownstones) se transformaram em escritórios de multinacionais, lojas de luxo, restaurantes sobretudo em faculdade, como a UCA (Pontifícia Universidad Católica de Buenos Aires). Os jardins foram revitalizados e transformados em verdadeiros atrativos para os porteños e hoje para os turistas que visitam a cidade. Entre o rio e os galpoes há uma grande via "peatonal" (para pedestres) que é um lugar muito agradável para um passeio matinal ou de fim-de-tarde.

O valor imobiliário cresceu assustadoramente, hoje a regiao possui hotéis de luxo como o Hilton Hotel e muitos atrativos para turistas, como o barco Cassino que fica ancorado no porto. Sobre o rio há uma ponte nova, projetada pelo arquiteto e engenheiro espanhol Santiago Calatrava, em homenagem à mulher (Puente de la Mujer). Santago de Calatrava é um dos maiores nomes na criaçao de estruturas inusitadas em todo o mundo.

Esta regiao de Buenos Aires realmente me impressionou, aqui o novo impera sobre o antigo e tradicional. Os mega arranha-céus já tomam conta da paisagem, do skyline da cidade. Quem está em Colónia, no Uruguai, do outro lado do Rio de la Plata, pode ver a suntuosidade de Puerto Madero.

Almocei num restaurante às margens do rio chamado Il Gatto. Comi um "Pollo con Salsa y Papas Españolas" (Frango ao molho com batatas espanholas), uma "gaseosa" (refrigerante) e como "postre" (sobremesa) um "Flan Casero" (Pudim Caseiro).

Ao por-do-sol, no final da área de abrangencia de Puerto Madero, passei pelo local de embarque do Buque Bus que nos leva ao Uruguai de barco. Depois subi o bairro do Retiro até o Microcentro onde fui receber um dinheiro na Western Union, que pedi ao Banco do Brasil que me enviasse da minha conta. Este procedimento é muito rápido, ficou pronto três horas após o meu pedido.

A noite fui jantar em San Telmo com meus amigos alberguistas Phoebe Hone (Austrália) e Carlos Lemell (Estados Unidos). Fomos a um charmoso bar de bairro, sem badalaçao turística, chamado El Federal, nas esquinas das Ruas Estados Unidos e Mário Calvo. O bar funciona desde 1904 e possui duas entrandas com vestíbulo. Ele é todo de madeira e muito, mas muito, charmoso. Ficamos horas ali a conversar com o garçon Julio, um paraguaio residente de Buenos Aires. Muitos destes bares encontram-se espalhados pela cidade e lhe confere um ar muito hospitaleiro.

Nesta terça vou a Tigre, ao norte da cidade de Buenos Aires, na Província de Buenos Aires, depois de San Isidro y San Fernando.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Argentina e Uruguai - Buenos Aires 03

13-09-09

Bem, hoje comecei por um passeio matinal pela Plaza Dorrego, aqui em San Telmo onde há todos os domingos uma feira de antiguidades. Nao se resume somente a antiguidades, mas artesanatos em geral e aquelas quinquilharias típicas de toda feira. É como se fosse a feira da Av. Afonso Pena em escala bem mais modesta. Mas nao deixa de ser interessante pois o local é muito agradável e aquele clima de feira, bem tranquila é muito bom. Comprei umas lembrancinhas para levar ao Brasil, aquelas coisinhas tipo imas de geladeira e tudo mais.

Dali fui andando até a Plaza de Mayo, para continuar o passeio que eu comecei ontem e nao terminei, a partir da rua Florida. A Avenida de Mayo liga o Congresso Nacional de um lado e muitos quarteiroes depois, a Plaza de Mayo. Nesta praça ficam a Casa Rosada, a Catedral Metropolitana, o Banco Nacional da Argentina, o Cabildo dentre outros monumentos de destaque. Aqui aconteceram várias solenidades cívicas, como a despedida de Eva Perón, lotando a praça. Aqui ela imortalizou o "Nao chores por mim Argentina, minh´alma está contigo..." Aqui também aconteceu em o manifesto das maes argentinas pelo desaparecimento dos seus filhos na época da ditatura militar e até hoje existe a associaçao das maes da Praça de Maio (Plaza de Mayo). Maio foi o mês da manifestaçao.

Nao vou descrever os monumentos em detalhe, pois levaria muito tempo, talvez o faça mais tarde reeditando este blog. Após visitar os monumentos da Plaza de Mayo caminhei direto pela avenida de Mayo em direçao ao Congresso. Almocei num pequeno restaurante que vi no caminho e continuei a jornada. Só um paréntese: aqui na Argentina a comida é muito barata, come-se bem por muito pouco.

Em seguida continuei até o Congresso onde tirei fotos apenas externas. Desci a avenida Callao pelo Bairro Tribunales, depois pela Corrientes até a avenida 9 de Julio, que dizem ser a mais larga do mundo. Neste cruzamento está um Obelisco em homenagem a independência da Argentina. De lá segui até a avenida Santa Fé, e a segui até o bairro Norte. Esta regiao é lindíssima, repleta de edifícios em estilo francés e italiano, reflexo da imigraçao européia. Os prédios sao realmente suntuosíssimos. É uma regiao muito rica e nota-se isto no jeito de vestir das pessoas, nos carros em tudo. Aqui todos se vestem bem, as vezes exageram, usam sobretudo até mesmo quando já faz calor de matar...

Na avenida Santa Fé está El Ateneo, a maior livraria de Buenos Aires, que é lindíssima. Ela ocupa um antigo teatro e as galerias e balcoes também abrigam livros. Há uma bela cafeteria embalada ao som de um piano, ao vivo. O clima para a cultura é muito agradável. Eu quis levar um clássico da literatura argentina e me indicaram as Coleçoes Completas I de Jorge Luis Borges, com nove livros do autor, de 1929 a 1940. Vou disfrutar dele ao retornar ao Brasil.

Dali andei até o bairro da Recoleta onde ficam verdadeiras mansoes. Mas também tem uma grande mansao lá onde nao mora ninguém, pelo menos vivo. É o cemitério da Recoleta, onde está sepultada Eva Perón, ou dizem que está, até os argentinos duvidam. Seus restos mortais foram trazidos do exterior muitos anos após a sua morte, mas a veracidade deste sepultamento em Recoleta é um mistério.

Dali andei até a avenida Del Libertador onde pude visitar o Museu de Arquitetura. Funciona numa antigo edifìcio pertencente ao porto de Buenos Aires e foi restaurado para abrigar o museu. Na verdade acontecem aqui exposiçoes intinerantes e desta vez há uma chamada Antípodas, sobre arquitetura contemporánea do Japao. Dali andei pela Avenida Alvear, uma das mais caras da cidade, e onde ficam lojas de grife, como Ralph Lauren, Armani dentre outras. No final dela há uma pracinha com dois suntuosos edifícios em estilo neo clássico francés, um abriga a embaixada da França e outro, a embaixada do Brasil... Deste ponto retornei ao albergue para tomar um banho.

A noite fui à La Ventana, um caríssimo restaurante com apresentaçao de Tango. Tive até aulas de tango (rs). Pra dizer a verdade, o show é muito bom, mas é muito longo. Confesso que me cansei e o vinho me deu sono. Mas como me disseram aqui, nao há mais tango na Argentina, de forma espontanea, como manifestaçao popular, existem apenas as apresentaçoes para movimentar a indústria turística. De qualquer forma valeu a pena, é um espetáculo que vale a pena ver.

domingo, 13 de setembro de 2009

Argentina e Uruguai - Buenos Aires 02

12-09-09 (Sábado)

Hoje pela manha acordei cedo, mas conversei tanto com os outros hóspedes do albergue na hora do café da manha, que acabei saindo tarde, depois das 10 horas.

Peguei o metrô (aqui chamam-no de "Subte", de subterrâneo) na estaçao Independência e fui direto ao bairro Recoleta com Retiro, para a Plaza San Martin. Ali eu começaria meu tour, e depois seguindo Rua Florida e Avenida de Mayo, onde ficam a Casa Rosada num extremo e o Congresso Nacional no outro.

A Plaza de San Martin é um grande espaço verde numa regiao nobre da cidade, umas das mais caras de Buenos Aires. Aqui tudo é lindo, ruas bem cuidadas, praças impecáveis e edifícios suntuosos de estilo neo-clássico francês, com telhados típicos de mansarda. Tirei muitas fotos e segui a rua Florida. Esta rua é muito comprida e vai dar direto na Avenida de Mayo, porém é uma rua para "peatones", ou seja, para pedestres. Todos os quarteiroes sao fechados ao trânsito de veículos. É uma rua sofisticada, com lojas de grife e galerias nada modesta. Aqui situam-se as melhores cafeteirias de Buenos Aires, uma delas é a Forida Garden. Aqui também está uma unidade das Galerias Pacífico, que nada mais é que um shopping sofisticadíssimo, situado num prédio antigo, na verdade em dois prédios antigos, unidos por uma cobertura zenital que lembra a Galeria Vittorio Emmanueli de Milao, em proporçoes bem menores. Almocei neste shopping e segui pela Florida. Nesta mesma rua adquiri o ingresso para o show de Tango para amanha, domingo. Mais a frente nao resisti e entrei na loja da Puma onde comprei um tênis, meu primeiro tênis Puma, que no Brasil sairia pelo triplo do preço. Nao sou muito ligado a grifes, nao acho que seja necessário, mas foi bom aproveitar a oportunidade. Um pouco mais a frente me deparei com a loja Havana, famosa fabricante de alfajor. Comprei umas caixinhas deles e também bombons.

Infelizmente nao pude completar o trajeto até a avenida de Mayo porque já eram quase 2 horas da tarde eu deveria retornar a San Telmo onde eu iria participar de um tour guiado e gratuito oferecido pelo pessoal do albergue. Deixei minhas coisas no albergue e saímos caminhando pelas ruas do bairro.

Encontramos com outra turma num albergue próximo e começamos o tour pelas casas típicas do bairro, aquelas dos primeiros donos antes da chegada da febre amarela como eu disse ontem. A princípio eram casas mais simples e depois foram se sofisticando até se tornarem casas muito grandes que serviram como apoio de imigrantes italianos. Algumas casas eram vendidas e partidas ao meio para abrigar mais de uma famíia. Podemos ver uma casa que tem apenas 2,00 m de frente por 30 de comprimento, é a casa mais estreita de Buenos Aires.

Depois seguimos a um bar, chamado de Bar Sur, que era o ponto de encontro de intelectuais da cidade e posteriormente o lugar mais famoso nas apresentaçoes de tango. Ainda continua com as apresentaçoes e tornou-se hoje mais um lugar turístico do que propriamente um lugar da moda. Lá vemos fotos de pessoas famosas que já frequentaram o bar, como Liza Minelli, Antônio Banderas dentre outros.

Continuando fomos a um mercado, que era o antigo mercado de venda de peixes, pois estamos aqui bem próximos ao Rio da Prata. Hoje funciona como mercado de antiguidades e feira de frutas e verduras. Há uma loja faria muito sucesso no Brasil, pelo menos em BH, pois vende-se material de demoliçao, como portas, janelas, detalhes arquitetônicos dentre outros.

Seguimos para a praça Dorrego, onde aos sábados vendem artesanatos e há uma feira de comida, muito interessante pois a praça vira o ponto de encontro do bairro. Ficamos ali por uns 20 minutos e seguimos a uma galeria que funciona hoje numa antiga casa de San Telmo. É um dos exemplos mais típicos de construçoes que abrigaram os imigrantes. Por ser uma casa muito grande e com vários dormitórios, ela abrigava uma família por dormitório, o que a tornava densamente povoada, gerando problemas sanitários graves. Ainda mantém a arquitetura da època, porém necessita de restauraçao.

Já no início da noite retornei ao albergue para fazer download de minhas fotos gravando-as num pen drive. Breve começarei a postá-as aqui.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Argentina e Uruguai - Buenos Aires 01







11-09-09 (Sexta-feira)

Oi pessoal!

Após um ano sem dar as caras, cá estou eu, de novo, falando de férias. Desta vez me aventurando pela Argentina e Uruguai. Hoje saí de BH bem cedo, as 6 horas da manha (a falta do til é por conta do teclando argentino... ). Cheguei às 11 e meia ao aeroporto internacional em Ezeiza e vim direto ao albergue. Foi a conta de deixar tudo no quarto e sair correndo para um City Tour que começava às 14 horas. E já comecei escuntando Cristina Kirchner em rede nacional no rádio... O povo aqui parece nao gostar muito dela...

Por esta altura o sol estava já bem quente e confesso que até calor senti após uma manha de 5 graus... fomos por bairros tradicionais da cidade como Recoleta, Tribunales, Palermo, Microcentro, Puerto Madero, La Boca, San Telmo... muitos lugares... muitos eu vou voltar a partir deste sábado, outros nao. Por isto vou falar agora somente dos quais onde nao voltarei.

La Boca, bairro antigo da cidade, me pareceu bastante inseguro, e o estádio La Bombonera, do Boca Juniors do famoso Maradona é um fiasco. Feio e pequeno. Bom... vale mais pela história dele do que pela sua arquitetura e pela localizaçao. De qualquer forma é um lugar muito periférico que demanda mais cuidados na área de urbanizaçao e segurança pública. Se depender da Presidente Cristina Fernandes Kirchner, nao vai acontecer muita coisa. Percebo que a populaçao local tem uma verdadeira adoraçao pelo lugar. As casas mostram a simplicidade do povo que ali vivia, geralmente pescadores que moravam na foz do rio Riachuelo, de encontro com o Rio da Prata. Por estarem na boca do rio, o lugar passou a se denominar La Boca.

Bom, o Caminito, no mesmo La Boca, me pareceu muito bem idealizado, mas também senti falta de infraestrutura turística no local. Aliás, sinto isto em grande parte Buenos Aires, mas nem todo lugar. No geral tem me pareceido meio decadente, muitas praças abandonadas, ruas sujas e mendigos pelas calçadas. Julgo ser este o reflexo de uma crise surgida no início deste século que os argentinos ainda nao deram conta de acabar. A cidade é culturalmente rica, uma arquitetura impressionante, mas ofuscada pela opulencia da crise ameaçadora que assola o país. O Caminito é hoje um museu a céu aberto, as casas simples destes pescadores, geralmente construídas com chapas de zinco no lugar de tijolos. Todas foram pintadas com cores fortes e constrastantes, dando um ar mais latino ao lugar.

Fiz algumas amizades com argentinos, argentinas, uma alema e uma australiana... bom... aqui é um lugar muito cosmopolita onde todos se encontram. O albergue é muito bem localizado e nos permite chegar rápido a muitos lugares. Ele se situa no bairro de San Telmo, um dos bairros precursores de Buenos Aires e de classe social mais alta. No início do século XX devido à epidemia de febre amarela na regiao estes ricos se mudaram para regioes mais ao norte, onde hoje se situao o bairro da Recoleta e o bairro Palermo. As casas de San Telmo, uma vez abandonadas serviram de moradia para os inúmeros imigrantes italianos que vieram mais tarde, porém amontoadas diversas famílias numa mesma casa, sem muita infraestura. Devido a este tumulto, estas casas eram chamadas de "cuchenzillos", que significam, cortiços.

A noite nao fiz nada, estava muito cansado e resolvi jantar aqui por perto. Jantei num restaurante charmoso de bairro chamado La Esquinita, fica na esquina das ruas Humberto Primo (rua do albergue Hostel Inn Buenos Aires, onde estou) e Piedras. Nunca tinha comido uma merluza tao saborosa e um purê de batata muito bom.